FILME: Abril Despedaçado
domingo, 27 de outubro de 2013
COMENTARIOS SOBRE O FILME:
ostaria de agradecer a oportunidade de estar aqui com vocês, dividindo as impressões que tive a partir desse filme. Especialmente esse filme, que de tão calado, tem tanto a nos dizer, desperta uma intensidade muito grande de emoções e reflexões.
Acho que nem sempre é demais lembrar que o que tenho aqui são as minhas impressões, o modo como eu pude ler essa história, esse filme. Essa é uma parte do trabalho que nós nos propomos a realizar com vocês. A outra, espero poder ouvir de vocês, para trocarmos as muitas idéias que, com certeza, vão surgindo à medida que nos ouvimos.
Essa é uma história que se passa no Sertão do Nordeste brasileiro, em 1910. Mas poderia ser uma história que se passa na Albânia, em 1930, como a que Kadaré nos conta, e de cujo romance Walter Salles extrai a idéia para esse filme. Poderia ser ainda uma história siciliana, das “vendettas”, ou dos gregos, tanto faz. Porque é uma história dos sentimentos humanos de vingança, poder, e da luta para conquistar o amor.
Trata dos esfacelamentos que podem ser vividos em nome de cânones, códigos e leis instituídos, quando esses sobrepassam o existir de cada um. Oferece-nos a oportunidade de assistir a uma luta angustiante por manter a honra, sob a tutela da violência, segundo uma tradição, quando esses códigos se encontram também a serviço de impedir a liberdade e a própria existência.
No filme, a sucessão de tragédias é iniciada pela disputa de terras entre duas famílias rivais. E uma camisa ao vento, manchada de sangue. Essa seria a marca de que se havia cumprido uma obrigação de vingança. Alguém morrera em retaliação. A partir de então, era esperar que o sangue amarelasse, para que outra obrigação se fizesse, para vingar o que morreu. Desse modo se perpetrava o ciclo interminável de violência e morte.
Tonho, o segundo filho da família Breves, deve vingar a morte de seu irmão mais velho, o que significa sua morte também, após uma costumeira e curta trégua. Não há opção possível. Ou mata, dispondo-se a perder a vida, ou se perde a honra de sua família. Tonho nada pode escolher, como seus antepassados, seus pais, seus irmãos, e seus rivais também não puderam. Não é possível ter ou saber os nomes, dar nomes, e ter história, porque a lei da disputa ancestral é soberana. A única história que pode ser contada é a história da vingança e da honra que deve ser resgatada. Não pode haver registro de outra história, ninguém pode se lembrar do que é querido, desejado. Pacu não se lembra de suas histórias sobre o mar, de que tanto gosta. Tonho não pode saber que deseja outros caminhos.
Pacu, ou simplesmente Menino, o filho mais novo dos Breves, reclama uma história para si. Uma história com amor, cheia de vida, de quem pode ter um nome. Todos parecem temer sentir o que sentem, o que desejam. Porque perceber e sentir, com liberdade para pensar, declara o que acontece dentro e fora de nós mesmos. E pode sugerir mudanças. No lugar desse pensar sobre o que acontece, de experimentar como próprio o que sentem, está a repetição. A bolandeira, eixo da história, como um relógio às avessas, repete o seu mesmo movimento, que os bois movimentam, açoitados por quem acredita que lhes comanda o caminho. No vai e vem do balanço, Pacu se refugia nos seus momentos mais angustiantes. É nele que espera a volta de Tonho, após o enterro do Ferreira por ele assassinado. Parece se balançar para atingir o nada, para não sentir o medo de que Tonho não volte. É aí que ele permanece, ainda, enquanto espera pelas lembranças da sua sereia. E é nesse balanço onde parece trocar o lugar de Tonho com o seu. ”Hoje é tu quem vai avoá.” Tonho lhe ensinara a voar, mas parece ter esquecido a lição, e o menino quer que Tonho recupere essa condição: voar, sonhar. Repete também o seu balançar como para procurar dentro de si alguma condição de se encontrar em alguém, com alguma coisa nele mesmo que o conforte. Os giros na corda inebriam Clara, desde a tarde até o anoitecer, quando ela se encanta com Tonho, mas não sabe como libertar-se para esse amor. Pedindo que ele gire mais, e mais, acredita que flutua no ar, que pode ser livre, e que possa estar com Tonho num giro amoroso e sensual. Um movimento repetido, mas cheio de amor, não como aquele da bolandeira. A canga, que aprisionava os bois e a todos, cumpria sua missão de atrelar os bois e os Breves na mesmice dos seus momentos, que caminhavam para trás, com a bolandeira, como se seus afazeres sempre iguais os livrassem de perceber mais um dia de vingança e morte. Tudo se repetia para que nada novo pudesse surgir. Às vezes, repetindo para fazer surgir.
A repetição como recurso de não ver o novo, o desconhecido, nos é muito familiar. É a voz dos recursos que todos possuímos para nos manter na mesmice, no amortecimento. É o código da pulsão de morte em ação. A Psicanálise nos traz a descoberta dessa condição humana de voltar ao inanimado, de seguir com facilidade os “desmovimentos”, a inércia, ou a desconstrução arrasadora, destrutiva. Um legado humano que insistimos em não considerar como próprio da nossa natureza. A construção amorosa, outro legado nosso, parece mais difícil de se realizar. Exige que nos confrontemos com o caos, com a existência de um outro que difere de nós mesmos, de quem dependemos e que podemos perder. Essa dependência é sentida freqüentemente como um perigo, uma ameaça às nossas ilusões de que somos capazes de possuir e controlar o que nos pertence, e os nossos sentimentos. Perder o que amamos, ou perder o seu amor, implica a perda de um pouco de nós mesmos, daquele aspecto nosso que se liga tão fortemente ao outro, que já não se sabe mais a quem pertence, ou o que é. É um pouco do outro em nós, e um pouco de nós mesmos no outro. Só podemos perder o que temos como posse de nós mesmos. Mas, nessas relações que se alimentam da morte, o que se retém são coisas amortecidas. Conceber a existência do novo, do outro, é se dispor a uma dolorosa experiência de retaliação sem fim. Não se pode esperar que o desconhecido, o outro, seja mais complacente e amoroso do que aquilo que se sente ter em si mesmo.
Seguir o código de honra ancestral serve a diferentes propósitos. Persegue o culto ao ódio, à vingança, não permite a transgressão necessária, não admite a existência de cada um como ser independente. Não se faz necessário perceber as dores e desejos de cada um; todos formam um bloco único, indiferenciado. Não se pode sentir o medo, porque há muito o que temer. Os nomes, pouco importam. São os Breves, os Ferreiras. Na ausência de um, há o outro. Todos a serviço de um só objetivo: manter a honra, e o ciclo da violência. Não se podem entrever como fazendo falta um ao outro, embora isso esteja dilacerando o ser de cada um. Aparentemente menos oneroso é que se preencham com o desejo vingativo, por um mal sempre atribuído ao outro - Breves ou Ferreiras - . São os Ferreiras que iniciaram a briga, do ponto de vista dos Breves, e a recíproca acontece, com certeza.
Pacu conta que seu pai lhe dissera que a luta é ...“ Olho por olho. E de um olho por outro olho, acaba que todo mundo ficou cego. E em terra de cego, quem tem um olho todo mundo pensa que é doido.” É ele, o Menino, quem pode se aperceber desse olho que tem, que pode ver o que se passa, e que se sente enlouquecer, porque só ele, com a companhia de Tonho, pode enxergar a vida com os olhos de quem está vivo, enquanto os outros se fixam na morte. Nas palavras de sua mãe, “Nessa casa os mortos é quem comanda os vivo”. Com muita insistência, tenta recuperar esse olhar em Tonho, para que ele também possa enxergar o que sempre viu: a dizimação das possibilidades de cada um, a ausência de encontros verdadeiros, amorosos, os estreitos limites de Riacho das Almas. Se o pai não lhe concedia a possibilidade de pensar, de existir , a Tonho essa proibição pareceu servir em algum momento como um escudo contra o temor de ser o que poderia ser sozinho, com suas escolhas, com suas mudanças. Enquanto Tonho acreditou que seu ódio ao pai era tão grande, não o pôde declarar. Não se permitiu sequer questionar suas decisões sobre a entrada dos filhos no círculo da vendeta. Só mesmo um vínculo tão forte e fraternal como o de Tonho e Pacu poderia romper esse ciclo de morte e violência.
De início, a comunicação entre eles se dá predominantemente pelo olhar. Não se tocam, os diálogos dizem só o que aparenta ser necessário. O que é mesmo importante não pode ser dito. Os contatos são agudos, ríspidos, como o ranger das engrenagens da bolandeira. Tonho quebra essa regra no seu contato com Pacu, porque ainda guarda consigo a garantia dessa possibilidade, insistentemente incentivada pelo irmão menor. Quando Pacu se confronta com a ordem do pai, pedindo que Tonho não cumpra a “obrigação” de cobrar o sangue do irmão mais velho, Pacu é atingido pelo ódio do pai, que o pune de maneira violenta. Tonho, então, aperta as mãos de Pacu sob a mesa, num gesto carinhoso e cúmplice, de quem sabe o que ele está sentindo. Pacu vai aos poucos contagiando Tonho com sua esperança, e o irmão se permite partilhar o que ele diz: “Olha, Tonho! Os bois tão rodando sozinho!” Nesse momento, Tonho é surpreendido com o que se repete sem questão: os bois da bolandeira como também eles próprios, seguem o seu patético e repetido curso, mesmo quando se lhes retira a canga. Ele, que se encontrava com a canga em seus ombros, pode perceber, então, a sua complacência e a sua mesmice, de quem se esquece de ser o que é. Quando a retira de seus ombros, jogando-a no chão, tem o olhar firme de quem deseja escolher. Ao que parece, Pacu recupera em Tonho a possibilidade de sentir o que nele existe de vivo e amoroso, e que pode ser reencontrado para que se liberte de seu jugo. Porque mesmo “cobrando o sangue”, a mancha persistiria. Na voz de Pacu: “A mãe pensa que mancha de sangue sai; mas não sai, não”. A mancha da morte, do ferimento afetivo de quem perde alguém querido, essa não se desvanece. Não há para a mãe dos Breves como recuperar o filho que morreu. O que se torna imperioso é acreditar que a morte de um filho os livra de muitos males, o que o transforma em herói, em vencedor, e isso vale a sua vida ou, antes, a sua morte. Essa forma de proteção psíquica contra a dor nos faz lembrar as repetições obsessivas, que impedem que se possam conhecer os sentimentos ocultos, primitivos, já que se encontram tão envolucrados. Ao nosso olhar contemporâneo, parece muito estranho que a mãe não se insurja contra as regras da vendeta. A ela cabe rezar pelo filho morto, e pedir que sua alma encontre descanso, e que “a cada gota de seu sangue, sejam derramadas duas do inimigo,” mesmo que isso coloque em risco a vida de outro filho seu. Essa maneira da mãe partilhar os desígnios da vendeta parece ter sido a regra, em todos os momentos históricos em que a encontramos, desde a Grécia Antiga, até os nossos tempos. No livro sobre esse filme, Butcher e Müller, os autores, contam que a atriz que interpretou a mãe dos Breves, Rita Assemany, enquanto ensaiava a cena em que chora a morte de Inácio, seu primeiro filho, entoou uma canção. Essa canção, estranhamente, fazia parte de sua interpretação de Medéia, no Teatro. Seria uma simples coincidência? Ou sua alma de artista capturou na personagem dessa mãe Breves algo que se assemelhava aos sentimentos de Medéia? Poderíamos arriscar a suposição de que esse código poderia servir a sentimentos maternos menos nobres do que gostaríamos de creditar a uma mãe ideal?
Encontramos no decorrer do filme uma história de impedimentos: o impedimento à felicidade, o impedimento de se descobrir um caminho diferente, de pensar. Pacu nos mostra esses impedimentos em várias situações do filme, quando nos fala da sua dificuldade de lembrar as histórias. Ele cria histórias de esperança, de conseguir chegar onde deseja, de ser querido e resgatado por alguém cheio de amor: a sereia Clara. No desespero de quem conhece a possibilidade de existir e de amar, ainda que seja como uma vaga lembrança, Pacu empenha-se em recuperar as histórias, os seus aspectos preservados que lhe permitem pensar seus pensamentos. Ele pode usar seu livro, “ o livro de tudo,” porque a partir dele Pacu pode criar e compreender as suas histórias.
Pacu mostra, ainda, que seus desafetos não são tão poderosos a ponto de impedi-lo de contestar, de se contrapor ao que é vigente. É ele quem primeiro se insurge contra o pai.
Melanie Klein nos fala da importância de preservar os bons objetos internamente para que possamos nos desenvolver, pensar e criar. Caso contrário, a perpetuação daquilo que nos apavora e surpreende internamente, se faz no interjogo de atribuir ao outro e acreditar ser esse outro quem nos prejudica e arruina. É o interjogo entre os Breves e os Ferreiras , numa luta interminável que se realiza como se o objetivo fosse o de se protegerem de ataques e usurpações; mas esses ataques não visariam de fato a somente recuperarem as terras ou a resgatar a honra que o outro aviltou; é a encenação dos ataques que desferem contra si próprios.
Para quem se sente sempre perseguido pela morte, a vida representa um grande tormento, e não há espaço para liberar o amor, a brincadeira, o riso. Em um único momento do filme se vê o riso: o momento em que Tonho cai do balanço e finge estar morto ou muito ferido. Quando percebem que nada aconteceu, a mãe e o pai riem convulsivamente, enquanto Tonho e Pacu vivem um dos momentos mais ternos de todo o filme. Eles se olham com afeto intenso, brincam como que comemorando a vida, tão rara naquele lugar. Pacu se recusa a partilhar do riso com o pai, confirmando suas mágoas de um pai que o castra, que lhe está retirando o que tem de riqueza: seu livro de “tudo”. Que lhe permite voar, descobrir, criar, e manter suas ilusões. E, de certa forma, o pai vai lhe privando de Tonho, sua outra grande riqueza, com quem pode compartilhar a vida, com quem aprende a suportar o risco do chicote.
Num lugar assim, como Riacho das Almas, sem Riacho, só com almas, não surpreende que os diálogos não aconteçam, que não se registrem os nomes. Dar nome significa conhecer, atribuir importância, pertinência, e admitir que esse algo nomeado se situe em nossa mente e no outro, como um registro de nós mesmos. O pai, a mãe não se denominam: são os Breves. Pacu nunca fora nomeado. Representa o desejo de liberdade, o lugar da fantasia, o vínculo amoroso com a vida. Esses nomes não existiam para os Breves, empenhados com a morte. Pacu também não poderia ter nome, então. Recebe esse nome ( do qual não se agrada muito) do artista do circo – Salustiano – que se estranha pelo fato de que ele não tenha nome. Os dois “brincantes”, Salustiano e Clara, como os denomina Walter Salles em seu roteiro, é que podem nomear Pacu. Porque eles conhecem o que o menino contém e representa: a alegria, as promessas de esperança, os planos de se encontrar com uma sereia no mar.
Os brincantes, artistas de circo, trazem o novo, a ruptura, a alegria e a transgressão. Para o menino Pacu, a alegria do espetáculo, a fantasia a partir do livro e das histórias, e um nome, afinal. Para Tonho chegam com eles as descobertas de novos rumos, da liberdade, nas cores do fogo e do amor de Clara.
Clara que soltava fogo pela boca, uma mulher que ele podia desejar e que receberia, sem receio, o fogo de seu amor. A cor do fogo e do sangue são os únicos vermelhos no filme. E não por acaso. Essas são as cores das paixões violentas, da morte e do amor. E é com esse amor que Tonho também pode libertar Clara do seu aprisionamento a Salustiano e à sua condição de quem não pode desejar. Salustiano, outro encarcerado pela morte. “ Pra quem já nasceu morto, o pior já passou, tudo é lucro.” O banho, que um dia o acordou para a vida, apavorava-o. Sua alma de artista, cheia de desbravar o novo, também mantinha lá suas mortes cultivadas.
Quando Clara pergunta a Tonho se ele conhece Ventura, não parece estar perguntando sobre os lugares que conhece, ou sobre um vilarejo simplesmente. Pergunta se ele conhece, mesmo, é a felicidade. Um estado que ela ainda não teria sentido plenamente. Mas desde que se encontram, o tempo é seu inimigo. Como dissera o Sr. Ferreira no dia do velório de seu filho, Tonho deveria ouvir a cada batida do relógio menos um (minuto), menos um ... A tarja preta, sinal da trégua, indicava que os dois precisavam se contrapor a esse tempo para poder viver com intensidade o seu encontro. Enquanto o pai de Tonho tocava a bolandeira com os gritos de “ Bora, bora,” também contra o tempo, mas querendo vencer seus cansaços, seus limites, seu ódio. A bolandeira era o relógio que marcava o tempo e a vida dos Breves. De vidas “breves”. Com o ritmo demarcado pelo caminhar dos bois. Se não se faz possível sentir o prazer de seguir o ritmo da vida, que essa cadência seja imposta pelos bois que se encontram pela vida afora.
Mesmo quando não se deseja o novo, o inusitado se impõe. A regra da vendeta é clara: se foi concedida a trégua, ela deve ser cumprida. Mas o irmão e a viúva do Ferreira assassinado, na sua fúria de vingança, mentem para o avô, um dos que não enxergam, e também é cego de seus olhos. Dizem que a camisa já estaria amarelando, quando ainda não havia essa senha para encerrar a trégua. O avô determina, então, o fim da trégua, e ordena a vingança. Morte a um Breves, cobrando o sangue de seu neto assassinado por Tonho. Essa mentira carrega um mau presságio, que se concretiza quando o Ferreira vingador, não podendo enxergar sem os óculos, mata o homem errado. Mas era uma história que parecia ser compactuada internamente também por Pacu. Ele, empenhado em lembrar as suas histórias, delega a Tonho o despertar de uma outra história, com espaços infindáveis, como os do mar, que Tonho podia agora conhecer. A chuva, o mar, que trouxeram vida a Tonho, testemunham a morte de Pacu, num tempo de Abril. Abril-morto, Abril despedaçado. Mas não para Pacu, que o presenteia a Tonho; não para Tonho que recebe o amor generoso de Pacu e as suas histórias. Faz pensar que talvez o Menino-Pacu seja um Tonho-Menino, que se sente maior e mais forte quando descobre o amor. Essa descoberta é que poderia lhe permitir escolher diante da encruzilhada, na estrada e na vida, com alguma esperança de seguir o caminho que vai dar no mar, onde “...ninguém morria, e tinha lugar para todo mundo.”
Essa é também a história das nossas próprias sagas internas. São as vendetas que sustentamos, entre os rivais que construímos, dentro de nós mesmos. Esses são os personagens que nos aprisionam, que refreiam as nossas possibilidades: o medo, a dúvida, a cegueira e a violência. Há que se encontrar algo densamente vivo e amoroso, que sobrevive além da morte e da ruína, para podermos escolher caminhos. Rumo a um encontro marcado internamente com nossos meninos – Pacus e Tonhos, para conhecermos um nosso lugar chamado Ventura.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
O filme "Abril Despedaçado" (Brasil 2001), narra a história basicamente de duas famílias e se passa num lugarejo chamado Riacho das Almas, no mês de fevereiro de 1910, apesar de ser muito válido também aos dias atuais. O filme ressalta diversos valores culturais que definiam a honra ou não de uma família, era a chamada regra do olho por olho, dente por dente, onde a rivalidade entre as família Ferreira e Breves vai muito além da disputa por terra ou outro bem marterial.
Na trama, o personagem de Rodrigo Santoro, “Tonho” é da família Breves e teve seu irmão mais velho morto por um dos Ferreira, e como já era regra, ou uma lei de sangue, mantida pelas duas famílias, há gerações, quando a mancha de sangue na camisa do morto, que ficava estendida se tornasse amarela sua morte seria vingada, isso acontecido “tonho” foi em busca do pagamento pelo sangue do irmão e matou o assassino.
Essa maldita lei da vingança foi ao longo do tempo dilacerando as famílias. Na família dos Breves havia um pequeno garoto apelidado mais tarde de pacu, por um retirante circense que passava pela região. Esse garoto era o puro retrato da criança sonhadora e esperançosa em meio ao nada em que viviam, ele não se conformava com essa lei e chegou a apanhar de seu pai por isso, mas mantinha seus sonhos vivos em meio a miséria e violência.
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